Destacado

O Tempo

I

Ainda que o tempo mude em sua face,
E a chuva cesse ao toque da manhã,
O meu amor não finda, pois se faz
Do fogo eterno que jamais se apaga.

Não há futuro ou ontem que desfaça
O que em meu peito a eternidade inflama;
Nem voz, nem mundo, ou sombra que se alonga,
Pode negar a força desta chama.

Poemas

Último Juramento

Por fim te prometo no altar do infinito, amar-te na vida, na morte, na dor.
Teu nome carrego no fundo da alma, que nunca se cansa, que nunca tem cor.
Teus olhos são luz que clareia meus passos, e guia meu ser para o eterno fulgor.
E o peito se inflama de amor tão imenso, que faz do destino um eterno esplendor.

Nos campos distantes teu riso ecoava, chamando-me sempre ao calor do encontro.
A lua brilhava, as estrelas sorriam, pintando no céu teu divino contorno.
E o corpo cedia ao prazer tão supremo, que rompe as fronteiras e apaga o transtorno.
E a vida se enchia de festa e de canto, tornando o presente o mais lindo retorno.

Nos lábios te dou o meu último sim,
E o céu se abre em um hino sem fim,
Que sela o destino num pacto sagrado.

Se o tempo apagar cada passo que dei,
Ainda assim presa de amor ficarei,
Pois nele meu ser para sempre é guardado.

Poemas

Canção da Eternidade

O tempo caminha, mas não leva embora o rastro que deixas no peito que ama.
Teu nome é canção que ressoa na mente, que nunca se apaga, que nunca se chama.
E a vida se enche de luz ao lembrar-te, tornando a saudade sagrada chama.
E o corpo se inflama de novo desejo, que rompe as barreiras e tudo reclama.

Nos dias que passam te busco de novo, e encontro teu riso na aurora dourada.
A noite me traz teu perfume nos ventos, que fazem da dor uma coisa encantada.
E o peito responde em suspiro tão forte, que a terra estremece na lua prateada.
E a vida se rende ao poder deste encontro, que faz do momento uma eternizada.

No sopro do tempo te ouço chamar,
E sigo teus passos, não quero parar,
Pois neles o mundo se torna perfeito.

Se a morte vier, não terá poder,
Pois mesmo no além hei de te querer,
E o amor se fará meu supremo direito.

Poemas

Encanto do Olhar

Teu olhar penetra na alma que busca, trazendo ao meu peito desejo profundo.
No brilho tão claro me perco e me acho, e o céu se transforma em etéreo segundo.
A noite se curva, o vento se cala, e o riso ressoa no peito do mundo.
E a carne responde, se acende, se inflama, tornando o sofrer um prazer tão fecundo.

Teus olhos são fontes de luz infinita, que guiam meus passos na estrada sombria.
E o corpo se lança no abismo sereno, buscando teu toque, teu riso, tua guia.
No sonho te encontro e o tempo se quebra, fazendo da noite uma eterna alegria.
E a vida sorri ao sentir teu abraço, tornando a saudade em feliz melodia.

No fundo dos olhos me perco e me salvo,
E o peito se rende num êxtase alvo,
Que rompe as correntes do medo e do frio.

Se a vida me leva, me leva a teu lado,
Pois sei que no fim serei sempre chamado
Ao porto seguro do amor tão macio.

Poemas

Primeira Chama

Lembro-me do dia em que o amor me tomou, tão súbito e forte que o corpo estremece.
Teus olhos brilhavam qual sol na montanha, trazendo calor que jamais se esquece.
O peito batia em cadência tão viva, que o mundo parava, que a vida enobrece.
E o riso surgia em teus lábios tão finos, fazendo da dor uma coisa que desce.

Teus dedos tocavam minha face em ternura, e a carne queimava qual chama primeira.
E o sonho surgia no meio da tarde, tornando a paisagem canção verdadeira.
E o tempo se fez um eterno presente, que a vida guardava na forma mais pura.
E o corpo cedia ao desejo tão doce, que faz da paixão uma luz derradeira.

No toque primeiro senti teu calor,
E o peito queimava na chama do amor,
Que nunca se apaga, que sempre me guia.

Se o mundo ruísse, eu iria contigo,
Pois sei que no fim teu peito é meu abrigo,
E nele repousa a minha alegria.

Poemas

Chamado da Alma

No fundo da mente teu nome persiste, chamando por mim nas horas mais frias.
O peito responde em pulsares tão fortes, que fazem do escuro mil novas poesias.
Teu rosto aparece no meio da noite, quebrando o silêncio das longas vigílias.
E a alma se lança ao encontro do brilho, que mostra teu riso e as doces delícias.

Teus passos ressoam na estrada vazia, trazendo ao deserto canção de ternura.
O medo se rende, a dor se dispersa, e a vida renasce na fonte mais pura.
E o corpo se entrega no instante sagrado, que torna a paixão em poder de loucura.
E o tempo se curva ao sentir tal enlace, que faz da saudade um prazer que perdura.

No sopro do vento te ouço chamar,
E o corpo responde querendo ficar,
Nos braços que tornam minh’alma cativa.

E mesmo se a morte vier me levar,
Teu nome será meu eterno lugar,
Pois nele a paixão se mantém sempre viva.

Reflexão

Canto do jardim

I

És mais linda que o cântico dos anjos,
mais suave que o canto do jardim;
superas os alvos lírios e seus arranjos,
brilhas mais do que o sol ao nascer assim.

Quem descreve o fulgor do teu semblante,
ou traduz o calor dos teus carinhos?
Nem poeta nem sábio neste instante
pode igualar-te aos sons dos passarinhos.

Inspiração

I

O tempo passa e foge em passo lento,
teu belo olhar já brilha tão distante;
pergunto ao céu qual é o meu tormento,
se o coração já chora penetrante.

A vida traz o vento em desalento,
levando embora o instante mais vibrante;
em minha dor procuro o fundamento,
mas só me resta a sombra vacilante.

Amor

I

A saudade é qual brisa que me alcança,
Um sopro leve a me reconfortar,
Qual flor sutil que em paz se lança,
Na primavera em festa a desabrochar.

Assim se faz saudade em meu caminho,
Cântico doce em serena confiança,
É como luz que rompe o desalinho,
E em meu peito floresce a esperança.

Reflexão

I

Em tantas vozes, vozes de ansiedade,
Procura o coração a exata senda,
E em meio às sombras, busca a claridade,
Na luz que as trevas tímida desfenda.

Palavras tantas, vãs, sem identidade,
Pensamentos dispersos, sem oferta,
Mas sempre ansiamos por eternidade,
Na chama oculta que em nós se estenda.